Canetas emagrecedoras: o que pode mudar na saúde do homem além do peso?
Perda de peso pode trazer reflexos importantes para hormônios, libido, fertilidade e desempenho; urologista explica essa relação
As chamadas canetas emagrecedoras mudaram o tratamento da obesidade e ganharam espaço nas conversas de consultório, nas redes sociais e até entre quem procura perder poucos quilos. Mas, entre os homens, uma pergunta começa a aparecer junto com a redução do peso: o emagrecimento também pode trazer benefícios para outros aspectos da saúde masculina?
A resposta pode ser sim — mas não é tão simples quanto parece.
Segundo o urologista Dr. Rodolfo Favaretto, obesidade, resistência à insulina, diabetes, hipertensão, alterações vasculares e desequilíbrios hormonais estão entre os fatores que podem prejudicar a saúde do homem. Por isso, quando um paciente com excesso de peso emagrece e melhora sua condição metabólica, os benefícios podem aparecer também na disposição, libido e desempenho.
“A função erétil depende muito da saúde vascular. O mesmo organismo que sofre com obesidade, diabetes, pressão alta e alterações metabólicas pode apresentar dificuldades nessa área. Quando o paciente perde peso e melhora esses fatores, existe a possibilidade de melhorar também seu desempenho”, explica Favaretto.
O especialista ressalta, entretanto, que medicamentos como semaglutida e tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade e de determinadas condições metabólicas, não devem ser encarados como medicamentos para melhorar o desempenho masculino.
A caneta não é um medicamento para tratar disfunções urológicas.
O benefício, quando acontece, está relacionado principalmente à melhora global da saúde e à redução do excesso de peso.
MENOS PESO, MAIS TESTOSTERONA?
Outro ponto importante é a relação entre obesidade e testosterona.
Homens com obesidade apresentam maior risco de níveis reduzidos do hormônio. Em alguns pacientes, a perda significativa de peso pode ajudar o organismo a recuperar um ambiente hormonal mais favorável.
Isso pode refletir na disposição, no bem-estar e, em determinadas situações, no desejo.
“Não podemos prometer que emagrecer automaticamente vai aumentar a testosterona ou resolver uma queixa de libido. Mas sabemos que o excesso de gordura corporal pode interferir negativamente no equilíbrio hormonal. Quando conseguimos tratar a obesidade, estamos retirando um fator que pode estar contribuindo para o problema”, afirma o urologista.
Há ainda um componente psicológico. A redução de peso pode melhorar mobilidade, disposição, autoestima e percepção corporal, fatores que também podem influenciar a qualidade de vida e os relacionamentos.
Por outro lado, queda de libido ou dificuldades de desempenho não devem ser automaticamente atribuídas ao peso. Alterações hormonais, cardiovasculares, neurológicas e psicológicas, além de medicamentos utilizados pelo paciente, podem estar envolvidas.
E A FERTILIDADE?
Quando o assunto é a capacidade de ter filhos, a conversa exige ainda mais cuidado.
A obesidade masculina pode estar associada a alterações hormonais e à piora de alguns parâmetros relacionados à qualidade do sêmen. Dessa forma, alcançar um peso mais saudável pode ser positivo para a saúde reprodutiva.
Isso, porém, não significa que as canetas emagrecedoras sejam um tratamento para infertilidade masculina.
“Para o homem que pretende ter filhos, o correto é avaliar o conjunto. Peso, hormônios, hábitos de vida, doenças existentes e qualidade do sêmen podem fazer parte dessa investigação. Ainda precisamos de mais estudos para compreender completamente os efeitos específicos desses medicamentos sobre a fertilidade masculina”, ressalta Favaretto.
O alerta é especialmente importante porque muitos homens utilizam medicamentos para emagrecer sem acompanhamento adequado ou recorrem a tratamentos hormonais paralelamente.
E existe uma diferença fundamental: o uso de testosterona sem indicação e acompanhamento médico pode reduzir a produção de espermatozoides e comprometer a fertilidade, justamente o contrário do que um homem tentando ter filhos deseja.
A BALANÇA PODE SER APENAS O COMEÇO
Para Favaretto, a popularização das canetas trouxe uma oportunidade importante para discutir a saúde masculina de maneira mais ampla.
O homem que procura tratamento para obesidade pode aproveitar esse momento para observar pressão arterial, glicemia, colesterol, hormônios e também aspectos relacionados à saúde urológica.
“Às vezes o paciente chega preocupado apenas com a balança e descobre que perder peso pode representar muito mais do que vestir uma numeração menor. Estamos falando de saúde cardiovascular, metabólica, hormonal e também da qualidade de vida do homem. O importante é fazer isso com indicação e acompanhamento médico”, conclui.
No fim, as possíveis mudanças provocadas pelo emagrecimento vão muito além do número mostrado pela balança.
Perder peso pode contribuir para melhorar diferentes aspectos da saúde masculina, mas as canetas não substituem uma investigação urológica, não são tratamento específico para problemas de desempenho e tampouco representam garantia de aumento da libido ou da fertilidade.
O emagrecimento é apenas uma parte de uma engrenagem muito maior: a saúde do homem como um todo.

