Ed. 14 - Setembro/2026Editorial

A cidade que queremos começa na cidade que cuidamos

É muito fácil dizer que amamos a nossa cidade.

Difícil, às vezes, é perceber que amor por um lugar não se demonstra apenas com palavras.

Está no papel que alguém deixa de jogar na rua. Na árvore que ninguém destrói. Na praça que é tratada como se fosse o quintal de casa. No respeito pelo patrimônio público. Na paciência no trânsito. Na maneira como tratamos quem trabalha no comércio, quem presta um serviço e até quem simplesmente cruza nosso caminho todos os dias.

Uma cidade não pertence à Prefeitura.

Também não pertence aos vereadores, aos comerciantes, às associações ou a qualquer grupo específico.

Uma cidade pertence a quem vive nela.

E talvez tenhamos nos acostumado demais a esperar que alguém faça alguma coisa.

Esperamos que limpem. Que arrumem. Que plantem. Que fiscalizem. Que preservem. Que resolvam.

É claro que o poder público tem suas obrigações — e deve ser cobrado por elas. Essa cobrança é necessária e faz parte de qualquer sociedade que queira avançar.

Mas existe uma parte dessa história que nenhuma administração pública consegue fazer sozinha.

A parte que cabe a nós.

Não adianta pedir uma cidade bonita e destruir aquilo que foi colocado nela. Não adianta reclamar da sujeira e jogar lixo pela janela. Não adianta exigir respeito enquanto tratamos o próximo sem nenhum. Não adianta desejar um comércio forte se nunca valorizamos quem empreende aqui.

E não adianta sonhar com uma Brodowski melhor como se essa Brodowski fosse construída por outras pessoas.

Ela é construída por nós.

Todos os dias.

Nas grandes decisões, certamente. Mas principalmente nas pequenas atitudes que ninguém fotografa, ninguém publica e provavelmente ninguém vai aplaudir.

Talvez cuidar de uma cidade seja justamente isso: fazer a coisa certa mesmo quando ninguém está olhando.

Brodowski tem problemas. Como qualquer cidade.

Mas também tem gente trabalhando, empreendendo, ensinando, praticando esporte, cuidando, plantando, criando filhos e tentando deixar alguma coisa melhor do que encontrou.

É dessa soma que uma cidade cresce de verdade.

Não apenas quando ganha asfalto novo, uma praça bonita ou uma obra importante.

Mas quando seus moradores começam a olhar para ela e pensar:

“Isso aqui também é meu. Então eu também vou cuidar.”

Porque a cidade que tanto cobramos dos outros talvez comece exatamente aí.

Na cidade que cada um de nós ajuda a construir quando sai de casa pela manhã.