51ª Semana de Portinari reúne cerca de 60 mil visitantes e transforma Brodowski em palco da cultura
Durante dez dias, Brodowski respirou arte, cultura, história e tradição. E não apenas dentro de museus, galerias ou espaços tradicionalmente dedicados às manifestações artísticas.
A cidade virou o evento.
Ruas, praças, escolas, espaços culturais e esportivos, estabelecimentos comerciais e diferentes pontos de Brodowski receberam atividades da 51ª Semana de Portinari, realizada entre 14 e 23 de agosto. Segundo estimativa da organização, cerca de 60 mil visitantes passaram pela programação ao longo dos dez dias.
A edição de 2026 ganhou significado ainda maior por acontecer juntamente às comemorações pelos 113 anos de Brodowski, celebrados em 22 de agosto.
Instituída em 1975, a Semana de Portinari atravessou mais de cinco décadas mantendo uma proposta que vai muito além de homenagear um dos maiores artistas brasileiros. A celebração tornou-se parte da própria identidade cultural da cidade onde Candido Portinari nasceu e passou a infância.
Realizada pelo Museu Casa de Portinari e pela Prefeitura de Brodowski, a Semana reuniu arte, educação, esporte, turismo, gastronomia e manifestações populares.
Para Angélica Fabbri, diretora do Museu Casa de Portinari, a longevidade da Semana demonstra como o legado do artista permanece vivo e próximo da população.
“A Semana de Portinari chega à sua 51ª edição mostrando que esse patrimônio permanece vivo. Portinari faz parte da história de Brodowski e, ao mesmo tempo, sua obra ultrapassa fronteiras. Quando vemos artistas, crianças, famílias e visitantes ocupando a cidade e participando das atividades, percebemos que preservar esse legado também significa mantê-lo próximo das novas gerações”, destaca Angélica.
A cidade inteira entrou na programação
Uma das características desta edição foi justamente a descentralização das atividades.
A Praça Candido Portinari e a Esplanada do Museu Casa de Portinari receberam parte importante da programação, mas a Semana avançou para outros endereços e fez diferentes regiões da cidade entrarem no clima da celebração.
O Estádio Zé Turquim recebeu o Concurso de Pipas; o Centro de Lazer do Trabalhador “Vicente Quércia”, diferentes competições esportivas; e o Centro de Excelência de Badminton “José Marcos Tofetti”, atividades esportivas.
As escolas também participaram da programação por meio de diferentes iniciativas, enquanto estabelecimentos comerciais entraram no clima com o Concurso de Vitrines Temáticas.
Foi uma programação que fez moradores e visitantes circularem.
Em um momento, crianças estavam colocando a mão na massa em oficinas. Em outro, famílias acompanhavam apresentações nas praças e ruas. Em diferentes pontos havia esporte, dança, teatro, música ou artistas trabalhando diante do público.
Mais do que receber uma série de eventos, Brodowski se transformou durante dez dias em um grande espaço cultural a céu aberto.
Sábado reuniu desfile e arte pelas ruas
O primeiro sábado da 51ª Semana de Portinari, 15 de agosto, concentrou dois dos momentos de maior destaque da programação e mostrou, na prática, como a celebração tomou conta das ruas.
Na Rua Floriano Peixoto, o desfile cívico “Brodowski, Entre Cores e Memórias” reuniu alunos das escolas públicas e particulares, bandas marciais da região, representantes do Tiro de Guerra e diferentes instituições.
A atividade integrou as comemorações pelos 113 anos do município e levou famílias para acompanhar a passagem dos participantes pelo centro da cidade.
Enquanto a história de Brodowski desfilava pela Floriano Peixoto, em outro ponto da cidade a arte ganhava novas cores.
Também no sábado, a tradicional Pintura Mural reuniu cerca de 100 artistas nos muros externos da Escola Tiradentes, voltados para a rua.
Moradores e visitantes puderam acompanhar o trabalho acontecendo e observar as pinturas tomando forma diante dos olhos. A atividade transformou a área externa da escola em uma verdadeira galeria de arte a céu aberto, incorporada à paisagem urbana e acessível a qualquer pessoa que passe pelo local.
E o resultado não terminou com o encerramento da programação. As obras permanecem nos muros externos da escola, deixando para a cidade um registro permanente da 51ª Semana de Portinari.
A escolha do local ganhou significado especial em 2026. A Escola Tiradentes completa 110 anos, fazendo com que um espaço centenário da educação de Brodowski recebesse uma manifestação artística diretamente ligada à identidade cultural do município.
Os dois acontecimentos sintetizaram a proposta desta edição: de um lado, Brodowski levou sua história para a rua por meio do desfile. Do outro, artistas ajudaram a escrever uma nova página dessa história com tinta e pincel nos muros da centenária Escola Tiradentes.
Mais de 200 artistas em uma única exposição
Outro ponto alto foi a tradicional Exposição Coletiva de Artes Plásticas, realizada no Galpão das Artes e que reuniu mais de 200 artistas de diferentes estados brasileiros.
A mostra abriu espaço para múltiplas linguagens e propostas artísticas, mantendo o diálogo com o legado de Portinari e aproximando artistas de diferentes origens em uma cidade que carrega a arte como parte de sua história.
Somados aos cerca de 100 participantes da Pintura Mural, os números ajudam a mostrar a dimensão da presença artística na cidade durante a Semana.
Para a secretária municipal de Cultura, Aureliana da Silva, essa diversidade é uma das características da programação.
“São linguagens e atividades diferentes convivendo dentro de uma mesma programação. Temos as artes plásticas, a música, as oficinas, as manifestações populares e a participação das crianças. É uma oportunidade de aproximar a população da cultura e, principalmente, fazer com que as novas gerações também criem essa relação com a arte”, afirma.
Das crianças aos mais velhos
A diversidade de públicos também marcou a 51ª edição.
Houve batalha de rimas, apresentações de dança, teatro e circo, atividades do Projeto Guri, sarau, capoeira e oficinas culturais. O esporte também ganhou espaço com torneios e atividades de diferentes modalidades.
Para as crianças, a Semana reservou experiências que fizeram delas mais do que simples espectadoras. Oficinas de xilogravura, expressão artística, contação de histórias, musicalização, quadrinhos, estêncil, slime, origami e robótica permitiram aos pequenos experimentar diferentes formas de criação.
Uma delas foi Sofia Santos Miguel, de 8 anos, que participou da oficina de slime. Ao lado de outras crianças, Sofia colocou literalmente a mão na massa em uma das atividades da programação.
A mãe, Juliana Augusto Santos Miguel, acompanhou a participação da filha. A presença das duas representa uma cena que se repetiu durante a Semana: pais e filhos dividindo atividades e ocupando juntos os espaços da cidade.
Para as famílias, iniciativas desse tipo vão além do entretenimento. Elas oferecem às crianças experiências gratuitas de cultura, aprendizado e convivência e ajudam a criar desde cedo uma relação com aquilo que faz parte da história da própria cidade.
Em Brodowski, esse significado ganha ainda mais força. Fazer com que crianças conheçam a arte, ocupem os espaços culturais e participem da Semana é também uma forma de permitir que a ligação da cidade com Portinari atravesse gerações.
O tradicional Concurso de Pipas e o Passeio Ciclístico reforçaram essa conexão. As brincadeiras fizeram parte da infância de Candido Portinari em Brodowski e posteriormente apareceriam retratadas em suas obras.
113 anos de história
A Semana de Portinari dividiu espaço neste ano com outra celebração importante: os 113 anos de Brodowski.
O prefeito Fábio Severi destaca que realizar as duas comemorações de forma integrada reforça a ligação entre Portinari e a história do município.
“Brodowski tem uma ligação com Portinari que nenhuma outra cidade do mundo possui. Celebrar a Semana de Portinari junto aos 113 anos do município é valorizar nossa história, nossa população e aquilo que temos de mais singular. Ver a cidade recebendo milhares de pessoas também mostra a força que a cultura pode ter para movimentar Brodowski”, afirma.
Cultura também movimenta o turismo
A estimativa de cerca de 60 mil visitantes durante os dez dias de programação chama atenção também para uma atividade que vem ganhando importância no município: o turismo cultural.
Reconhecido como Município de Interesse Turístico, Brodowski tem na história e na obra de Candido Portinari um patrimônio capaz de atrair visitantes de diferentes regiões.
Quando o evento se espalha pela cidade, o movimento também ultrapassa os espaços culturais. Visitantes circulam pelas ruas, conhecem outros pontos de Brodowski e passam por restaurantes, lanchonetes, lojas e diferentes estabelecimentos.
Para o secretário municipal de Turismo, Tiago Reato, eventos dessa dimensão ajudam a apresentar Brodowski para além de seus limites.
“A Semana de Portinari coloca Brodowski em evidência e faz com que muita gente venha até a cidade motivada pela cultura. Esse visitante conhece o Museu Casa de Portinari, circula pelo município, consome no comércio, conhece nossa gastronomia e descobre outros atrativos. Cultura e turismo caminham juntos e têm capacidade de gerar movimento também para a economia local”, ressalta.
Tradição italiana, artesanato e solidariedade
Outro momento de grande participação popular foi a 18ª Piazza Della Nonna, realizada entre os dias 20 e 23 de agosto na Praça Candido Portinari.
A festa celebrou a memória das famílias de imigrantes italianos que ajudaram a construir a história de Brodowski, reunindo gastronomia, música e homenagens transmitidas entre gerações.
A infraestrutura foi subsidiada por meio de termo de fomento entre a Prefeitura e a ACAM Portinari, garantindo entrada gratuita. A renda obtida com a gastronomia foi destinada às instituições filantrópicas e clubes de serviço participantes.
Os valores arrecadados pelas entidades ainda estavam sendo contabilizados até o fechamento desta edição.
A programação contou também com edição especial da Feira Regional de Artesanato Raízes do Campo, reunindo artesãos e produtores de municípios da região e aproximando tradição, produção artesanal e economia criativa.
Uma tradição que atravessa gerações
Mais de meio século depois de sua criação, talvez a força da Semana de Portinari esteja justamente em sua capacidade de não permanecer parada no tempo.
Portinari morreu em 1962. Mas o menino que correu pelas ruas de Brodowski, brincou, soltou pipas e observou os trabalhadores e a paisagem de sua terra continua presente.
Está nos muros que recebem novas pinturas.
Nas crianças que descobrem a arte em uma oficina.
Nos artistas que chegam de diferentes lugares.
Nas famílias que ocupam as praças.
Nos moradores que veem sua própria cidade transformada durante dez dias.
E nos milhares de visitantes que chegam a Brodowski atraídos pelo nome daquele menino que saiu dali para se tornar um dos maiores artistas do Brasil.
Está também em crianças como Sofia, que aos 8 anos talvez ainda não compreenda toda a dimensão da história artística que nasceu em sua cidade, mas já começa a fazer parte dela.
Em 2026, justamente quando Brodowski completou 113 anos, a 51ª Semana de Portinari mostrou que preservar a história não significa apenas olhar para o passado.
Significa fazer com que ela continue acontecendo.
